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Casal de empresários cancela expediente uma vez por semana para voluntariar

A crença em um mundo mais igualitário move Adriana e Wagner a dedicar toda segunda feira aos serviços sociais.

No que tange a capacidade humana de se doar em prol do bem comum, algumas pessoas, em suas jornadas, são verdadeiros exemplos de altruísmo e empatia. É o caso do casal de empresários e cabeleireiros Adriana Silva e Wagner Costa, que toda segunda feira cancela a agenda de trabalhos e, juntos, vestem o jaleco da ADRA para servir. Não o fazem por falta de clientes. Tampouco por ausência de desafios econômicos. O que os estimula é a crença em um mundo mais justo e igualitário.

Em tempos de crise política, a situação econômica do país encontra-se estagnada. Abrir e manter um negócio tem se tornado um desafio, e exige completa atenção e dedicação. Na cidade de Artur Nogueira, o salão “Auto-Estima” também está inserido neste cenário hostil. Contudo, ainda assim, o casal Adriana e Wagner, donos do salão, se propõem a dedicar um dia exclusivo para fechar as portas e compartilhar seus conhecimentos como professores voluntários no Núcleo ADRA de Desenvolvimento de Artur Nogueira, ou Casa da ADRA, como é conhecida na cidade.

IMG_1366A história começa quando a mãe de Wagner sugeriu à coordenadora, Dalva Pacanaro, que chamasse sua nora para o trabalho voluntário. Feito o convite, Adriana não pensou duas vezes: logo estava ministrando o curso de cabeleireiro, componente do projeto de Geração de Renda.

Não tardou também em “arrastar” para o movimento solidário o esposo para, juntos, tornar o curso mais completo. Ou seja, além das aulas focadas em cortes e cuidados de cabelos femininos, com Wagner inseriram o corte masculino e barbearia. Logo os horários na agenda começaram a conflitar. E em meio à encruzilhada, decidiram: fechariam o salão na segunda, na certeza de que haveriam clientes na terça.

E em meio à encruzilhada, decidiram: fechariam o salão na segunda, na certeza de que haveriam clientes na terça.

“Estava fazendo bem para a gente também”, explica “Waguinho”, como é chamado. Adriana, que ainda tomava antidepressivos quando se voluntariou, ao iniciar as atividades humanitárias, decidiu parar. “Lá as coisas são diferentes, os seus problemas parecem pequenos”, conta a cabeleireira.

Ela, que corta cabelos desde os 11 anos de idade, agora possui o sonho de, futuramente, trabalhar no terceiro setor. Para isso, começou a cursar a faculdade de Serviço Social. “Sabemos que não é fácil, mas vemos a possibilidade de colocar em prática e compartilhar nosso conhecimento de forma que possibilite os outros a ter uma vida melhor”, comenta. Isto porque – explica Wagner – faltam oportunidades para aqueles que querem se capacitar para o mercado de trabalho, mas não possuem condições financeiras.

Atualmente, o casal possui 18 alunos no Núcleo ADRA de Artur Nogueira e 22 no Núcleo de Engenheiro Coelho. Ali, Adriana também possui seis alunas de depilação. As aulas são divididas por módulos, desde os princípios do cabelo, até a colorimetria. Sempre com conteúdos práticos e teóricos. “Vemos a dedicação dos alunos e isso nos motiva”, confessa Wagner.

“Você se doa e semeia com a esperança de que irá colher bons resultados”

De lá para cá o negócio cresceu. Hoje com mais duas funcionárias – sendo uma delas  ex aluna da Casa da ADRA – o casal já não precisa fechar o salão na segunda-feira. Contudo, ainda dedica esse dia para as aulas e para ajudar ao próximo. “Você se doa e semeia com a esperança de que irá colher bons resultados”, conclui Adriana.

Foto: Giselly Abdala

Foto: Giselly Abdala

 


maju

 

Maria Júlia Magalhães é estudante de jornalismo e estagiária da ADRA Brasil na regional São Paulo. Gaúcha criada em Rondônia, no norte firmou o seu amor por fotografia e indígenas. Acredita no meio de transformação social através das fotos.