Com ajuda da ADRA, ex-dependente é reinserido na família

Após um mês em casa sr. Paulo Bertholdo e família, fazem uma análise positiva desta nova etapa de suas vidas

 

Abrigo da ADRA acompanha reinsencao de usuario

Psicóloga do Abrigo Tainá Tatagiba (à dir.), em visita à casa de sr. Bertholdo

Vitória/ES… [ASN]  Em dezembro de 2017, aos 53 anos, o sr. Paulo Bertholdo voltou ao convívio familiar, depois de morar por três anos no Abrigo para População em situação de Rua de Vitória. Este primeiro mês de convívio familiar pode ser desafiador, porém com amor, persistência e muita boa vontade, é possível vencer os obstáculos e reconstruir os vínculos rompidos.

“Agora ele está mais lúcido, mais tranquilo”, avalia a sobrinha Priscila Bertholdo, responsável pelo sr. Paulo. “A gente precisa cuidar dele, preparar a comida, dar os medicamentos corretamente e ficar no pé pra ele não voltar a beber (risos). Mas é maravilhoso tê-lo de volta conosco”, confessa a sobrinha, com um misto de amor e preocupação na voz.

De acordo com a psicóloga do Abrigo, Tainá Tatagiba, essa preocupação é justificável. Com o histórico de alcoolismo, e com diversos problemas de saúde causados pelos anos de excesso com a bebida, o risco de uma recaída quando o usuário retorna para a comunidade em que fazia o uso do vício é considerado. “Porém o que vemos aqui é que, tanto a família quanto o sr. Bertholdo estão fazendo um ótimo trabalho”, analisa a psicóloga que, juntamente com toda a equipe técnica do Abrigo, ficará acompanhando Paulo e família nesses primeiros seis meses de reinserção familiar.

A trajetória

Da esq. p/ dir.: sr. Paulo Bertholdo, sua irmão Neuza Bertholdo e sua sobrinha Priscila Bertholdo

Da esq. p/ dir.: sr. Paulo Bertholdo, sua irmã Neuza Bertholdo e sua sobrinha Priscila Bertholdo

Em janeiro de 2015 o sr. Paulo Bertholdo foi encaminhado para o Abrigo de Vitória pelo Hospital Estadual de Atenção Clínica, onde havia ficado  internado por cerca de um ano. Já com cinquenta anos e com um diagnóstico de demência mental causada pelo consumo excessivo de álcool, Paulo não tinha onde morar. Ele residia com os pais, que faleceram há cerca de um ano, pouco antes da crise que o levou ao hospital. A casa onde vivia com os pais estava sem condições de habitação, devido a falta de manutenção ao longo dos anos e, os familiares que moravam próximo, não tinham condições de acolhê-lo naquele momento.

Foi após sua chegada ao Abrigo de Vitória que a equipe de profissionais da Instituição buscou junto à rede sócio assistencial tirar os documentos pessoais do sr. Paulo e garantir o tratamento médico/psiquiátrico que ele necessitava. Buscaram também uma renda fixa para ele, através do Benefício de Prestação Continuada (BPC), e a reaproximação com sua família. “No Abrigo de Vitória nós trabalhamos para promover o acesso aos direitos do cidadão e desenvolvimento humano, na luta pela autonomia dos nossos acolhidos”, sintetiza a coordenadora do Abrigo, Priscila Laurindo de Carvalho.

 

O recomeço

A família se mostrou bem aberta a receber Paulo, mas havia a necessidade de um lugar para ele morar. Então a equipe do Acolhimento Institucional, novamente, atuou nesta questão. Juntamente com os familiares decidiram demolir a antiga casa de seus pais – uma vez em que não havia condições de habitação – e um nova residência seria erguida naquela área, com os recursos do BPC do sr. Bertholdo. “Em um ano a casa antiga fora demolida e nós construímos um pequeno kit net, com quarto, cozinha e banheiro, para o tio Paulo morar bem perto da gente, para que todas nós pudéssemos ajudar a cuidar dele”, admite com satisfação a sobrinha Priscila Bertholdo.

“Ele ainda sente saudades dos amigos que fez lá no Abrigo, estamos pensando em leva-lo até lá, qualquer dia desses, para que o Paulo possa visita-los. Sabemos também que temos um grande desafio pela frente para cuidar dele, devido aos problemas psiquiátricos, e também para deixa-lo longe da bebida. Mas é muito bom ter a família unida novamente”, afirma com brandura a irmã Neuza Bertholdo, que reveza com a irmã Rosângela e sobrinha Priscila, a missão de cuidar de Paulo.

Para o diretor regional da ADRA Brasil, pastor Clairton de Oliveira, ações como esta refletem o objetivo do trabalho realizado pela Agência Adventista. “Nosso trabalho está voltado para as pessoas que vivem nas camadas mais vulneráveis de nossa sociedade. Como agência humanitária, nosso objetivo é resgatar a dignidade e melhorar as condições de vida dessas famílias”, analisa o pastor Clairton.

O Abrigo para População em situação de Rua é um projeto da Prefeitura de Vitória, desenvolvido através de convênio com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA Brasil), desde 2001, e atende a 40 pessoas, de ambos os sexos, encaminhados pela equipe de Abordagem e pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua. Além do acolhimento, o abrigo busca garantir o acesso aos direitos básicos do cidadão e ainda a reinserção  familiar e comunitária dos usuários, resgatando sua autonomia e independência. [Equipe ASN, Carla Ferraz]