Conheça a “Geladoteca”, criada para estimular a leitura dos jovens, em Vitória/ES

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Os livros e jornais impressos estão se tornando extintos, e o mundo virtual tem tomado conta dos meios de leitura das novas gerações. Mas será que isso é mesmo verdade? Os adolescentes do projeto Projovem que fazem parte do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Vitória no Espírito Santo, provam o contrário.

A “Geladoteca” foi pensada pela equipe de profissionais do CRAS para que os adolescentes que frequentam o Projovem da região de Maruípe, fossem incentivados a se imergirem no mundo da leitura, utilizando um método bem inusitado que aguçaria os sentidos curiosos dos jovens leitores.

 

Com isto em mente, o colaborador da ADRA e educador social, Kleber Rodrigues, dispôs da ideia de utilizar uma geladeira que estava parada no CRAS e transformá-la em um mundo de inspirações para os jovens que são assistidos pelo serviço. Por ter uma graduação em Biblioteconomia e Letras, o educador acredita no futuro dos jovens da comunidade, e que a leitura pode ajudá-los na construção do seu futuro profissional: “Eu acredito que por trabalhar com jovens e adolescentes preciso fazer com que eles passem pelo mundo da leitura. Estamos dentro da Assistência Social e precisamos incentivá-los a fazerem um curso, uma faculdade, ou outros caminhos que sejam pelos estudos, e pra isso a gente tem que passar pela leitura”, afirma.

Este conceito de “geladeira biblioteca” foi criado na esperança de que os jovens tivessem livre acesso a conteúdos de forma gratuita. “As expectativas são para que eles realmente utilizem o espaço que eles tem acesso a leitura, porque em outros equipamentos, que eles circulam dentro do território, não possuem essa estrutura. A escola acaba sendo um pouco restrita, então aqui nós proporcionamos uma leitura contínua e de vários temas. Então, esperamos que eles continuem fazendo o uso, e levem para a vida e para a família como um todo”, comenta a Assessora Técnica do CRAS, Quezia Storch.

Com a liberdade de escolha do livro de interesse, os profissionais do serviço também não impõem nenhum tipo de cobrança de retorno deste material, visto que a preferência é simplesmente o estímulo da leitura no tempo de cada jovem, o que tem ajudado no interesse e procura dos jovens à leitura dos livros, como menciona a Coordenadora do CRAS de Maruípe, Daniela Colatto:  “Com o intuito do jovem ter a curiosidade de olhar, levar pra casa, emprestar esse livro para outro adolescente, e estimular o hábito da leitura, oportuniza esse jovem ao acesso da leitura criando um estímulo e uma chance de crescimento estudantil. Hoje nós temos os recursos da internet, celular, e o hábito da leitura acaba se perdendo com esses equipamentos tecnológicos. E quando a gente resgata a geladoteca, esse fácil acesso ao livro físico, ele acaba dando oportunidade e até aguçando a curiosidade desses jovens em ler. E é muito curioso como eles tem aceitado o projeto, com o fato de pegar o livro, levar pra casa, e achamos importante nem cobrar a devolução dele. O importante é que ele tenha a curiosidade de escolher um livro e o leia, ”, relata a coordenadora.

Atualmente, o Projovem conta com 30  adolescentes que estão inscritos, e neste projeto que vai além do incentivo à leitura, a prática da escrita também é realizada nas atividades, onde são praticados, esporadicamente, projetos de poesias e poemas para desenvolvimento na habilidade dos jovens. “Eu gosto muito de escrever, e aqui eu aprendi a fazer poesia. O Projovem me incentivou muito na leitura e escrita, e eu odiava muito escrever. Aqui eu comecei a ler livros mais interessantes que na escola não tem e não podia pegar, e aqui tem disponível”, relata a jovem Cassiane Meira de Andrade, participante do Projovem.

Conheça um dos projetos de música e poesia realizados pelo Projovem clicando AQUI.

Além do incentivos dos próprios funcionários do serviço apoiarem na leitura e muitas vezes com doações dos livros, em sua maioria as doações são realizadas através da própria comunidade, mas o CRAS está de portas abertas para receber mais doações.

 

O que são os CRAS?

Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) são locais públicos, localizados prioritariamente em áreas de maior vulnerabilidade social, onde são oferecidos os serviços de Assistência Social, com o objetivo de fortalecer a convivência com a família e com a comunidade.

Nos CRAS é ofertado o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à família (PAIF), que é um trabalho social com famílias, de caráter continuado, com a finalidade de fortalecer a função protetiva das famílias, prevenir a ruptura de seus vínculos, promover seu acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade de vida.

São concedidos benefícios de transferência de renda, como o Bolsa Família, por exemplo. Nos CRAS são feitas a pré-habilitação para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) concedido pelo INSS; também nos CRAS são concedidos benefícios eventuais, como natalidade, funeral, cesta de alimentos e outros.

As famílias também fazem a inscrição ou a atualização do Cadastro Único (CadÚnico), um instrumento do Governo Federal para identificar as famílias e possibilitar a inclusão daquelas que possuem renda de até 3 salários mínimos em programas sociais.

Coordenado pelo CRAS, a Inclusão Produtiva (UIP), é um serviço que oferece cursos e palestras e, por meio do PFC, consultoria e acompanhamento financeiro e financiamento dos itens necessários para a abertura de uma microempresa.

Também possui o Projeto Projovem Adolescente, que é um serviço de convivência para adolescentes e jovens de 15 a 17 anos e tem por objetivo o fortalecimento de vínculos familiares e relacionais, o retorno à escola e sua permanência no sistema de ensino. Isso é feito por meio do desenvolvimento de atividades que estimulem a convivência social, a participação cidadão e uma formação geral para o mundo do trabalho.

A Prefeitura de Vitória coordena este serviço em parceria com a ADRA desde 2006. Atualmente, o serviço possui 154 colaboradores da ADRA realizando a execução na parte administrativa, gerencial e técnica. Cerca de 60.000 atendimentos são feitos por ano atendendo os munícipes nas 12 unidades de atendimento espalhadas pela capital capixaba.

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