O início

A lancha Luzeiro 29 tem um longo histórico de navegação pelos rios da Amazônia paraense, com o objetivo de prestar atendimento de saúde às comunidades ribeirinhas, com ações itinerantes e responsabilidade social, atendendo milhares de pessoas todos os meses gratuitamente.
O projeto “Luzeiro nas Ilhas” com o apoio do Hospital Adventista de Belém, e “Luzeiro” em parceria com a empresa Petruz Fruity e vários voluntários das áreas de saúde, Psicologia, Direito e Assistência Social oferecem atendimento médico e psicológico gratuito às comunidades ribeirinhas da capital e municípios paraenses que são cortados por rios por meio da Lancha Luzeiro 29, equipada com consultórios, aparelhos de ultrassonografia e odontológicos, e ainda uma farmácia.
A embarcação já era utilizada, com outra estrutura em seu interior e de acordo com o pastor Adriano Aureliano, diretor da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra-PA), a ideia de voltar aos rios surgiu com os 80 anos da União Norte Brasileira (UNB), e com o desafio lançado pelo pastor Leonino Santiago (presidente da Igreja Adventista do Sétimo dia no Pará, Maranhão e Amapá), e logo Deus começou a abrir as portas e moveu o coração da família Pantoja (proprietários da empresa Camila Navegação), que ofereceu o atual barco que estava parado no município de Cametá. Feita a vistoria e as primeiras adaptações e reformas para o começo da navegação, e em um ano e meio, passamos por Belém, Igarapé-Miri, Barcarena, Breves, Acará, Limoeiro do Ajurú, e Ilha do Marajó, onde são atendidos semanalmente centenas de pessoas carentes da região das ilhas.

Para a ADRA Regional Pará, o Projeto Luzeiro 29, é um sentimento de dever cumprido, pois nos primórdios da Igreja Adventista 7º Dia e como Hospital Adventista no Norte do Brasil, começamos a atender exatamente desta forma: nas águas, com a Luzeiro 1”, com o casal Leo Halliwell e sua esposa Jessie Rowley, missionários americanos, que iniciaram a obra médica no Norte do Brasil. Ele, pastor e engenheiro, e Jessie, enfermeira formada nos Estados Unidos. Em 1921, receberam um chamado para o Brasil e aceitaram servir na Terra Tupiniquim, onde trabalharam por 38 anos.

Um pouco de história

Depois de chegarem ao Brasil, o casal dedicou sete anos no Estado da Bahia, e, em seguida, foram para o Norte, onde havia apenas três membros da Igreja Adventista na imensa área ao redor de Belém. Nessa época, os administradores da Divisão Sul-Americana decidiram iniciar com urgência uma intensiva atividade médico-missionária ao longo do Rio Amazonas, ilhas e seus afluentes.
Em 1927, a instituição organizou a Missão Baixo-Amazonas, região administrativa constituída pelos estados do Pará, Amazonas, Ceará, Maranhão, Piauí, e dos territórios do Acre, Amapá, Rio Branco e Rondônia. A sede da missão era em Belém.
Em 1928, porém, Leo Halliwell, que exercia a função de presidente da Missão Bahia-Sergipe, recebeu um chamado e foi transferido para Belém como presidente da Missão. Aceitou o convite ciente de que isso implicaria em drásticas mudanças de vida. Daquele momento em diante o missionário se tornou o adventista pioneiro naquele labirinto, misto de selva e água.
Ele e sua esposa percorreram os rios e igarapés do Pará e Amazonas, e aproveitavam para falar do amor de Deus ao levar tratamentos simples aos moradores ribeirinhos. Certo dia, numa viagem de barco pelo Rio Amazonas, Leo se afligiu ao ver a pobreza e as doenças dos povos da região. Impressionado, fez um apelo para conseguir uma lancha, com o propósito de alcançar os dois milhões de habitantes ao longo de 40 mil milhas de rios navegáveis formadores da Bacia Amazônica. Os fundos foram doados pelas Sociedades do MV da América do Norte e da América do Sul.
Halliwell aproveitou uma licença para fazer um curso sobre doenças tropicais em 1930 nos EUA. Ao retornar ao Brasil fez o projeto de um barco, e ele mesmo saiu pelas matas da Amazônia para construir a estrutura da embarcação. Instalou o motor e a fiação e começou a pilotar a sua clínica aquática por 30 anos, a primeira “Luzeiro I”.
O casal percorreu o Amazonas e seus afluentes, com uma média de 14 mil quilômetros por ano e trataram mais de 250 mil pessoas infectadas de malária, ancilostomose, framboésia, varíola e uma quantidade de outras doenças tropicais e cuidados dentários. Em um primeiro momento, compravam remédios com os escassos recursos da Missão, mas, nos anos seguintes, médicos americanos, casas farmacêuticas e até mesmo o governo brasileiro os supriram. Depois de tratar os doentes, o casal juntava a multidão para apresentar os ensinos de Jesus Cristo.
O casal Halliwell fez um grande serviço ao alertar o governo brasileiro para o fato de o povo ser mais importante do que os recursos naturais de uma nação, e também para a compreensão de que o estado de saúde da população poderia decidir sobre a futura prosperidade do país.

Números atuais

A Luzeiro 29, através da ADRA Brasil, coordenadora do projeto Luzeiros, realiza cerca de mil atendimentos por mês. A embarcação tem uma tripulação fixa de oito pessoas, além de uma equipe de voluntários. A Luzeiro XXIX possui dois consultórios, oito camarotes com capacidade para 16 tripulantes, um refeitório, quatro banheiros e um depósito.

O ministério das lanchas médico-missionárias já existe há 85 anos e teve início com o casal norte-americano Leo e Jessie Halliwell, que ao longo de três décadas levou saúde, educação e Esperança para as comunidades isoladas da região Norte do país.

Eli Braga (Ascom ADRA/PA)

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