Na Semana da Criança, histórias de participantes em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul mostram como as atividades contribuem para a aprendizagem, a convivência e a formação profissional
No primeiro dia de judô, Catarina, 10 anos, foi derrubada por colegas que já tinham mais experiência no esporte. Voltou para casa dizendo que havia amado a aula. Para a mãe, Tainá Cabral, a reação chamou atenção: no início do ano, a filha chorava em sala, tinha dificuldade para fazer amigos e deixava de realizar atividades por causa do perfeccionismo.
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A mudança ocorreu em meio a uma reorganização da rotina familiar, que incluiu a troca de ambiente escolar e a participação em atividades de ginástica e no núcleo da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), em Sinop (MT). Segundo Tainá, a convivência com outras crianças ajudou a filha a se comunicar e a fazer amizades.

Aluna exibe certificado ao lado de instrutor do projeto de judô da ADRA em Sinop (MT). (Foto: ADRA)
“Ela fala: ‘Minha colega me ensinou a fazer um desenho diferente’. Daí eu vejo ela fazendo, desenvolvendo aquele desenho, pintando”, conta a mãe. Catarina gosta de desenhar e passou a compartilhar esse interesse com as colegas. Na escola, os relatos de isolamento deram lugar a elogios à participação e à organização das tarefas.
A experiência da família está entre as histórias que ajudam a dimensionar a atuação da ADRA com a infância e a adolescência. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, a organização atendeu 221.094 crianças e adolescentes no Brasil, segundo levantamento institucional.
Na semana do Dia das Crianças, celebrado na segunda-feira (12), os dados mostram um trabalho que se estende por todo o ano. Atualmente, a ADRA desenvolve 196 projetos que atendem esse público, dos quais 89 são destinados exclusivamente a crianças e adolescentes.
No contraturno, estudo e judô

Participantes do Caminho Suave Arte e Ensino, em Sinop (MT), têm acesso a aulas gratuitas de judô no contraturno escolar. (Foto: ADRA)
Em Sinop, Catarina participa das atividades do Caminho Suave Resgatando Vidas. O projeto reúne reforço escolar, acompanhamento psicológico, alimentação e práticas esportivas no período em que as crianças estão fora da escola.
Uma das iniciativas vinculadas ao núcleo é o Caminho Suave Arte e Ensino, voltado ao judô. Ativo desde 2021, o projeto atende crianças de 6 a 12 anos e tem capacidade para receber até cem participantes. Em 2025, recebeu recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, que permitiram a atuação de dois instrutores.

Crianças e instrutores do núcleo da ADRA em Sinop (MT); projeto utiliza o judô para trabalhar disciplina, convivência e desenvolvimento pessoal. (Foto: ADRA)
Segundo Paulo Fidélis Miranda, diretor estadual da ADRA em Mato Grosso, a proposta é oferecer um espaço seguro enquanto os responsáveis trabalham, apoiar a aprendizagem e fortalecer os vínculos familiares e comunitários.
O núcleo atende prioritariamente crianças em situação de vulnerabilidade e risco social. A alimentação e o reforço escolar procuram responder a necessidades identificadas entre as famílias, enquanto o esporte trabalha a convivência, a disciplina e o desenvolvimento físico.
Manter a estrutura, porém, é um desafio. De acordo com Miranda, há fila de espera por vagas, e o núcleo depende de doações para custear despesas e realizar melhorias nas instalações.
Informação e oportunidades para adolescentes

Participantes e equipe do Garotas Brilhantes reunidas no Rio Grande do Sul; projeto atende 120 adolescentes em cinco municípios gaúchos. (Foto: ADRA)
No Rio Grande do Sul, o Garotas Brilhantes atende 120 meninas de 12 a 17 anos em Gravataí, Taquara, Porto Alegre, Alegrete e Rio Grande. As atividades começaram no estado em 2021, inicialmente em Gravataí e Taquara.
Os encontros são semanais e organizados em três áreas: saúde, educação e trabalho. Oficinas, palestras, visitas e outras atividades abordam temas como autoestima, permanência na escola, formação profissional e prevenção da gravidez na adolescência.

Adolescentes participam de atividade prática do Garotas Brilhantes, que promove oficinas e experiências nas áreas de saúde, educação e trabalho. (Foto: ADRA)
Segundo Marcelli Garcia, coordenadora de Projetos da ADRA no estado, a iniciativa também oferece informação e espaço de diálogo sobre situações de violência que podem fazer parte da realidade das participantes.
“O GB devolve a muitas meninas o direito a sonhar com um futuro promissor”, afirma.
Entre as trajetórias acompanhadas pela coordenadora está a de Kauhanny, que participou do projeto em 2022. Ela recebeu um curso de manicure e, segundo Marcelli, hoje mantém um negócio na área de cuidados e estética das unhas.
Do acolhimento à educação musical

Adolescentes e equipe durante atividade do Garotas Brilhantes no Rio Grande do Sul; encontros incluem palestras, oficinas e visitas. (Foto: ADRA)
A atuação nacional inclui ainda serviços de acolhimento para crianças e adolescentes afastados de suas famílias por medidas protetivas. Nesses espaços, são oferecidos moradia segura, acompanhamento psicológico, apoio educacional e outros cuidados essenciais.
Outros projetos utilizam atividades esportivas e culturais para promover o desenvolvimento. O Gol de Esperança trabalha habilidades socioemocionais e convivência por meio do futebol. No Sons de Esperança, a educação musical é o caminho para ampliar o acesso à cultura e criar oportunidades de aprendizagem.

Encontro do Garotas Brilhantes reúne participantes e equipe; iniciativa da ADRA incentiva a autonomia e a continuidade dos estudos. (Foto: ADRA)
Para Tainá, em Sinop, parte dos resultados aparece nas pequenas mudanças da rotina: a filha que chega contando sobre uma aula, uma amizade ou um desenho que aprendeu a fazer. A mãe atribui os avanços ao conjunto de mudanças vivido pela família, à escola e à participação nos projetos.
“Sou muito grata por tudo que tem feito na vida da minha filha. Ela tem crescido, tem se desenvolvido. Isso, para mim, é muito importante.”



