A Esperança começa aqui: Compaixão em Ação

Por Paulo Lopes, Presidente da ADRA Internacional

Há uma palavra que usamos com frequência em nosso trabalho na ADRA: esperança.

Falamos sobre levar esperança às comunidades, restaurar a esperança depois de um desastre e ajudar as pessoas a imaginar um futuro melhor. Mas, ao longo dos anos, aprendi algo importante: esperança não é apenas algo sobre o qual falamos. Esperança é algo que colocamos em prática.

Uma refeição nutritiva pode ser esperança. Uma sala de aula cheia de vida pode ser esperança. Um vizinho que se dispõe a ajudar outro vizinho pode ser esperança. A esperança se torna visível quando a compaixão se transforma em ação.

No dia 5 de setembro, a Igreja Adventista do Sétimo Dia lançou o OneVoice27, um movimento missionário global que marcará, em 2027, os 2.000 anos do batismo de Jesus. É uma oportunidade para que nossa família mundial da Igreja reflita sobre o exemplo de Jesus e pense em como podemos viver Sua missão em nossas próprias comunidades.

Para a ADRA, fazer parte disso é algo natural. É o que fazemos todos os dias.

Ao redor do mundo, colaboradores, voluntários e parceiros da ADRA servem comunidades que enfrentam pobreza, crises e situações de vulnerabilidade. Eles respondem quando um desastre acontece. Caminham ao lado das comunidades enquanto elas se reconstroem. Escutam, constroem relacionamentos e, repetidas vezes, fazem uma pergunta simples: O que podemos fazer?

É nessa pergunta que a compaixão começa. A ação é o que vem depois.

Como família mundial da Igreja, temos a oportunidade de falar sobre a esperança que encontramos em Jesus — não apenas por meio de nossas palavras, mas pela maneira como vivemos e servimos. E esse serviço não será igual em todos os lugares. Cada comunidade é diferente, e as pessoas que vivem nela muitas vezes conhecem suas necessidades melhor do que qualquer outra pessoa.

Por isso, estamos incentivando as pessoas a olhar ao redor, ouvir com atenção e encontrar maneiras significativas de servir.

Veja a necessidade. Demonstre compaixão. Entre em ação. Leve esperança.

Uma das expressões desse movimento será o Dia Global da Compaixão, que reunirá pessoas ao redor do mundo em um dia dedicado ao serviço. Uma comunidade pode organizar uma refeição para famílias que enfrentam dificuldades. Outra pode visitar pessoas que estão isoladas ou doentes. Alguém pode ajudar a reparar uma casa ou simplesmente estar presente para uma pessoa que precisa saber que não foi esquecida.

Ações diferentes. O mesmo coração.

Também estamos criando oportunidades para refletir mais profundamente sobre o que significa servir. Nosso novo devocional, Servindo como Jesus: Amor em Ação, reúne histórias de colaboradores da ADRA e de outras pessoas que fazem parte da família ADRA para explorar a compaixão, a fé e o serviço. Não apenas como ideias, mas como experiências capazes de transformar a maneira como vivemos todos os dias.

E, por meio dos Hubs de Compaixão, compartilharemos histórias de comunidades ao redor do mundo que mostram como é, de fato, a compaixão em ação: relacionamentos reais, serviço real e impacto real.

Mas, no fim das contas, isso não é sobre o que a ADRA faz. É sobre as pessoas que escolhem servir.

Conheci muitas delas ao redor do mundo: colaboradores da ADRA, voluntários, membros da Igreja e líderes comunitários. Alguns servem profissionalmente. Outros servem por um dia. Alguns fazem isso há décadas. Mas todos têm algo em comum: eles disseram sim.

Sim, vou dedicar uma hora.
Sim, vou ajudar.
Sim, vou ouvir.
Sim, vou compartilhar o que tenho.

Às vezes, um pequeno “sim” se transforma em algo muito maior. Uma pessoa serve. Outra vê. Uma igreja se envolve. Uma comunidade começa a trabalhar unida. De repente, um único ato de compaixão se transforma em um movimento.

Nossa fé nos ensina que cada pessoa possui dignidade porque foi criada e é amada por Deus. Quando servimos alguém, não estamos simplesmente concluindo um projeto. Estamos reconhecendo o nosso próximo. Estamos escolhendo cuidar. Estamos colocando nossa fé em ação.

E nossa compaixão não está condicionada a nada. A ADRA atende de acordo com a necessidade, independentemente de vínculo ou crença religiosa. Ninguém precisa compartilhar da nossa fé ou pertencer à nossa Igreja para receber assistência. Isso também faz parte de viver a esperança que proclamamos.

O mundo nos dá muitas razões para perder a esperança. Mas, todos os dias, também vemos pessoas escolhendo um caminho diferente: vizinhos ajudando vizinhos, voluntários dedicando seu tempo, igrejas abrindo suas portas e comunidades se reconstruindo.

É aí que acredito que a esperança começa.

Não em algum lugar distante.

Aqui.

Com a decisão de perceber.
A decisão de se importar.
E a decisão de agir.

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“Quando a ação encontra a compaixão, vidas mudam.

– Dave Ramsey

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