Unidade móvel da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais atua desde 2016 em situações de enchentes, deslizamentos, rompimento de barragem, temporais e tornado
A Carreta Solidária da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) completa 10 anos nesta sexta-feira (26) com um histórico de atuação em alguns dos principais desastres registrados no país na última década.
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Voluntários da ADRA atuam na resposta à emergência em Juiz de Fora (MG), em março de 2026. (Foto: Divulgação)
Criada em 2016 para apoiar comunidades em situação de emergência, a unidade móvel já passou por mais de 60 cidades brasileiras. Com base nas operações mais recentes, a estimativa é que a carreta já tenha ultrapassado 650 mil refeições servidas e 600 toneladas de roupas lavadas.

Voluntárias da ADRA atuam na lavanderia da Carreta Solidária durante a resposta à emergência no Litoral Norte de São Paulo, em 2023. (Foto: Divulgação)
A estrutura funciona como uma base de apoio humanitário sobre rodas. A carreta conta com cozinha para preparo de refeições quentes, lavanderia para lavagem e secagem de roupas e espaço de atendimento psicossocial para pessoas afetadas por situações de crise.

Carreta Solidária da ADRA durante atendimento a famílias afetadas pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG), em 2019. (Foto: Divulgação/ADRA)
Ao longo dos últimos anos, a unidade atuou em tragédias como o rompimento da barragem em Brumadinho, em Minas Gerais, os deslizamentos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, as enchentes no Rio Grande do Sul, os temporais em Minas Gerais e o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná.
Roupa limpa depois da enchente

Famílias atingidas pelas chuvas em Juiz de Fora (MG) são atendidas pela Carreta Solidária da ADRA, em março de 2026. (Foto: Divulgação/ADRA)
Em março deste ano, a carreta foi enviada a Juiz de Fora, em Minas Gerais, após um temporal que provocou enchentes e deslizamentos na região.
No bairro Industrial, uma das áreas atingidas, moradores buscaram atendimento para lavar roupas cobertas de barro e receber refeições. Entre eles estava Luiz Paulo de Carvalho, que perdeu móveis e ficou sem condições de higienizar as próprias peças depois que a rua onde mora ficou alagada.
“Muita gente perdeu a máquina de lavar. Como é que vai lavar roupa cheia de barro na mão?”, afirmou.
Também moradora da região, Lorena Silvério perdeu a loja de roupas que mantinha no bairro. Parte das peças que conseguiu recuperar foi levada para a carreta.
“Trouxe algumas roupas que recebi de doação e também as minhas. Já deixei tudo lá e vou buscar limpo”, relatou.
A cena ajuda a explicar a importância do serviço em situações de desastre. Depois que a água baixa, muitas famílias ainda precisam lidar com lama, mau cheiro, móveis danificados, roupas inutilizadas e falta de estrutura básica para retomar a rotina.
Apoio em três frentes

Distribuição de refeições pela Carreta Solidária da ADRA durante atuação de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade na pandemia. (Foto: Divulgação/ADRA)
A Carreta Solidária atua em três frentes principais.

Voluntárias da ADRA atuam na lavanderia da Carreta Solidária, uma das frentes de atendimento oferecidas a famílias atingidas por situações de emergência. (Foto: Divulgação/ADRA)
A primeira é a alimentação. A cozinha da unidade é preparada para produzir refeições quentes em grande volume, especialmente para famílias desabrigadas, desalojadas ou que perderam o acesso à própria cozinha.
A segunda é a lavanderia. O serviço permite que roupas, cobertores e peças pesadas sejam lavados e secos, o que ajuda a reduzir riscos sanitários e devolve dignidade às famílias atendidas.

Atendimento psicossocial realizado pela ADRA durante ação de apoio a famílias em situação de emergência. (Foto: Divulgação/ADRA)
A terceira é o apoio psicossocial. O atendimento é voltado a pessoas emocionalmente abaladas por enchentes, deslizamentos, tornados e outras emergências. A proposta é oferecer escuta, acolhimento e orientação nos primeiros dias após o desastre.
No Rio Grande do Sul, atendimento durante as enchentes

Carreta Solidária da ADRA durante atuação de apoio às famílias atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. (Foto: Divulgação/ADRA)
Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, a carreta iniciou atendimentos em cidades como Igrejinha e São Leopoldo. Depois, também apoiou ações em outras regiões afetadas, como Canoas.
A operação envolveu distribuição de refeições, lavagem de roupas, entrega de água, kits de higiene, cestas básicas, colchões, calçados e outros itens emergenciais.
Em cenários como esse, a carreta funciona também como ponto de referência para a população. Além de buscar comida ou entregar roupas, muitas pessoas procuram informações sobre doações, abrigos e outros serviços disponíveis.
Depois do tornado no Paraná

Voluntárias da ADRA preparam refeições durante atendimento a famílias atingidas pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu (PR), em novembro de 2025. (Foto: Divulgação/ADRA)
Em novembro de 2025, a unidade foi enviada a Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, após um tornado destruir casas, arrancar telhados e deixar famílias sem saber por onde recomeçar.
A ADRA mobilizou voluntários para diferentes frentes de apoio, incluindo reconstrução de estruturas, retirada de entulhos, distribuição de donativos, atendimento emocional e serviços da carreta.

Voluntários da ADRA durante operação de resposta às famílias atingidas pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu (PR), em novembro de 2025. (Foto: Divulgação/ADRA)
Durante a operação, a unidade lavou mais de duas toneladas de roupas, serviu quase 2 mil refeições e prestou apoio emocional a dezenas de famílias.
Segundo voluntários que atuaram na ocasião, parte dos atendimentos psicossociais foi realizada de casa em casa. A equipe encontrou moradores com medo, ansiedade, insegurança e dificuldade para lidar com as perdas provocadas pelo tornado.
Estrutura exige planejamento

Estrutura da Carreta Solidária da ADRA exige planejamento técnico, com acesso à água, energia, escoamento e organização do fluxo de atendimento. (Foto: Divulgação/ADRA)
Apesar da aparência simples, a operação da carreta exige planejamento técnico.
Para funcionar, a unidade precisa de local adequado, acesso à água, energia, escoamento, internet, organização de filas, controle de senhas, voluntários treinados, limpeza constante e articulação com autoridades locais.
Na lavanderia, por exemplo, as roupas precisam ser identificadas desde a coleta até a entrega, para evitar trocas. Na cozinha, é necessário manter controle de higiene, armazenamento de alimentos e distribuição organizada das refeições.
O objetivo é garantir que a ajuda chegue com segurança, eficiência e respeito às famílias atendidas.
“Solidariedade em ação concreta”

Unidade móvel da ADRA complementa a atuação do poder público e da Defesa Civil em situações de emergência, oferecendo serviços essenciais a comunidades afetadas. (Foto: Divulgação/ADRA)
Para o diretor da ADRA Brasil, Herbert Boger, a carreta representa a atuação da organização em momentos de maior vulnerabilidade.
“Nos momentos de maior vulnerabilidade, nossa missão é transformar solidariedade em ação concreta”, afirma.
A frase resume o papel da unidade móvel ao longo da última década. Em situações de emergência, a carreta não substitui o trabalho do poder público ou da Defesa Civil, mas atua de forma complementar, levando serviços essenciais enquanto as comunidades tentam se reorganizar.
Reconhecimento na imprensa

A atuação em Petrópolis também ganhou repercussão nacional, com imagens da Carreta Solidária exibidas no Jornal Nacional, da TV Globo, durante a cobertura das chuvas que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro.
Ao longo desses dez anos, o trabalho da Carreta Solidária da ADRA também ganhou visibilidade na imprensa nacional, regional e local. A atuação da unidade móvel já foi destaque em telejornais da TV Globo, como o Jornal Nacional, o Jornal Hoje e o Jornal da Globo, além de reportagens no SBT, em afiliadas da Record, em emissoras regionais, rádios, portais de notícias e veículos ligados à cobertura de emergências. A repercussão ajudou a ampliar o alcance das ações, mobilizar doações e mostrar ao país o impacto da solidariedade organizada em momentos de crise.
Dez anos de estrada

Em dez anos de atuação, a Carreta Solidária da ADRA percorreu o país levando refeições, lavanderia e apoio psicossocial a comunidades afetadas por desastres e outras emergências. (Foto: Divulgação/ADRA)
Em 10 anos, a Carreta Solidária da ADRA passou por diferentes tipos de emergência: enchentes, deslizamentos, rompimento de barragem, pandemia, temporais e tornado.
A estimativa é que, nesse período, a unidade tenha ultrapassado 650 mil refeições servidas e 600 toneladas de roupas lavadas, em mais de 60 cidades brasileiras.
Mas o impacto também aparece em cenas do cotidiano das operações: uma família que recebe a primeira refeição quente depois de deixar a casa, roupas que voltam limpas depois da enchente, moradores acolhidos após uma noite de medo e voluntários que ajudam a organizar o recomeço.
Depois de uma década, a carreta segue nas estradas com uma missão simples: chegar onde a emergência deixou famílias sem o básico.
Como apoiar a Carreta Solidária
Quem deseja apoiar o trabalho da Carreta Solidária da ADRA Brasil também pode contribuir para que a unidade continue levando refeições, roupas limpas e apoio psicossocial a famílias atingidas por situações de emergência. As doações podem ser feitas pela plataforma oficial: https://adrabrasil.doar.app/ .



