Programa vai ao ar neste sábado, às 16h30, na TV Novo Tempo, e apresenta histórias de acolhimento, autonomia e reconstrução de vínculos familiares
O sexto episódio da 9ª temporada do Retratos, programa da ADRA Brasil exibido pela TV Novo Tempo, vai ao ar neste sábado, às 16h30. A produção mostra a rotina de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos, a ILPI, gerida pela ADRA no Espírito Santo.
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Há histórias que continuam sendo escritas mesmo quando muita gente acredita que o capítulo principal já passou. É sobre essas vidas, marcadas por perdas, recomeços e pequenos gestos de cuidado, que o episódio se debruça.

Jornalista Fernanda Beatriz apresenta episódio que mostra a rotina de idosos acolhidos em instituição gerida pela ADRA no Espírito Santo. (Foto: ADRA Brasil)
O serviço é oferecido pela Prefeitura e funciona em um espaço preparado para moradia, convivência e acompanhamento diário de idosos. Mais do que apresentar a estrutura da instituição, o programa mostra pessoas que chegaram ao local após situações de vulnerabilidade social, rompimento de vínculos familiares ou ausência de uma rede de apoio. Ali, encontram cuidado, segurança e a possibilidade de reconstruir parte da própria história.
Sonhos que continuam

Maria Inês, moradora da instituição de longa permanência gerida pela ADRA no Espírito Santo, compartilha sua rotina e seus sonhos no episódio. (Foto: ADRA Brasil)
Entre as personagens está Maria Inês, uma das moradoras da instituição. Na simplicidade da rotina, ela encontra alegria no contato com a natureza, no cuidado recebido e nas pequenas coisas do dia a dia.
Também guarda um sonho: conhecer o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.
A instituição busca preservar a individualidade dos moradores. Os idosos são estimulados a fazer escolhas, participar de atividades e manter práticas que ajudam a fortalecer a autonomia. Em alguns momentos, eles vão ao mercado, escolhem o que desejam comprar e participam do preparo de alimentos que carregam lembranças e afetos.
A distância da família

Episódio mostra histórias de cuidado, acolhimento e recomeço em instituição de longa permanência para idosos no Espírito Santo. (Foto: ADRA Brasil)
O episódio também toca em uma das dores mais silenciosas da velhice: a distância da família. Há idosos que recebem visitas frequentes, mas também existem aqueles que perderam contato com parentes ou convivem com a ausência de filhos e pessoas próximas.
Reconstruir esses vínculos exige cuidado. Cada história tem marcas que nem sempre aparecem por completo. Ainda assim, quando o contato familiar acontece, o impacto pode ser percebido na rotina.
“Uma visita muda tudo. Muda o dia, muda a semana, muda o mês”, destaca o episódio.
A arte como memória

Na instituição gerida pela ADRA, Maria Inês encontra cuidado, convivência e pequenos momentos de alegria na rotina diária. (Foto: ADRA Brasil)
Entre as histórias apresentadas está a de Neuza Ramos Barbosa, de 63 anos. Moradora de Viana, ela tem parte da própria vida exposta nas paredes da instituição por meio de quadros pintados por ela mesma.
A arte começou como uma forma de colocar para fora aquilo que sentia. Com o tempo, também ajudou no sustento dos filhos.
Neuza trabalhou com decoração de festas e chegou a ter um ateliê. Era conhecida no território onde vivia. Mas um relacionamento afetivo e o consumo frequente de álcool mudaram o rumo da sua trajetória. Depois de passar por tratamento, foi encaminhada para a ILPI em um momento em que estava em situação de rua e sem contato com familiares.
Um novo lar
A chegada à instituição foi difícil. No episódio, Neuza relembra o impacto de entrar no novo espaço e perceber que aquele passaria a ser seu lugar de moradia. Para quem estava acostumada à liberdade das ruas e da própria caminhada, a mudança exigiu tempo, acolhimento e confiança.
Com o passar dos dias, a relação com coordenadoras e cuidadoras transformou a percepção dela sobre o local.
“Hoje eu posso dizer que eu não posso viver sem aqui, porque aqui é o meu lar”, afirma Neuza.
A pintura segue como uma forma de organizar sentimentos. Em uma das telas, marcada por tons escuros, ela expressa o luto pela morte do filho mais novo. A arte, antes fonte de renda, tornou-se também memória, desabafo e reconstrução.
“Eu deixo sempre ali aquele momento em que eu estava”, conta.
Com o apoio da equipe, Neuza tem reorganizado a vida no próprio tempo. No lugar onde chegou com medo, encontrou cuidado. No espaço que parecia estranho, construiu novos vínculos.
“A mão que eu não tenho da minha família, eu tenho aqui na ILPI”, diz.
Cuidado além da rotina

Programa da ADRA Brasil apresenta a rotina de idosos acolhidos em espaço preparado para moradia, convivência e acompanhamento diário. (Foto: ADRA Brasil)
O episódio mostra ainda os desafios do cuidado na velhice. Com o avanço da idade, muitos moradores passam a ter maior grau de dependência para atividades básicas, como banho, troca de roupa e locomoção. Além das limitações físicas, há também o desafio emocional de idosos que se sentem abandonados pela família.
Mesmo sem substituir uma casa familiar, a instituição busca criar um ambiente de afeto, respeito e segurança. O cuidado oferecido vai além da alimentação, do banho ou da moradia. Passa pelo reconhecimento da história de cada pessoa, pela valorização da autonomia e pela lembrança de que ainda há sonhos possíveis.

Episódio mostra histórias de cuidado, acolhimento e recomeço em instituição de longa permanência para idosos no Espírito Santo. (Foto: ADRA Brasil)
Cuidar de idosos, como mostra o episódio, é reconhecer a vida de quem já trabalhou, criou filhos, enfrentou perdas, atravessou crises e ainda deseja ser visto. É entender que envelhecer não deve significar desaparecer.
O Retratos vai ao ar aos sábados, às 16h30, pela TV Novo Tempo. A produção apresenta projetos sociais e humanitários desenvolvidos pela ADRA em diferentes regiões do Brasil.



