Projeto de geração de renda da ADRA favorece empreendedorismo feminino

 em Bahia

Nessa época de pandemia, em meio a crise financeira que o país vive e com um alto índice de desemprego, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o quarto trimestre do ano passado fechou com um contingente de 13,5 milhões de desempregados. Com um resultado assim, não há muito o que comemorar no Dia do Trabalhador (1). Ainda segundo levantamento do IBGE, a taxa de desemprego entre as mulheres brasileiras foi de 16,4% no quarto trimestre de 2020, o que significa 37,8% superior à taxa de desocupação dos homens.

 Diante deste cenário de desemprego, surgem histórias de superação e empreendedorismo. Através de  cursos gratuitos e projetos sociais desenvolvidos pela Casa de Lió, Núcleo da ADRA – Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais – na cidade de Itabuna, sul da Bahia, pessoas vem sendo beneficiadas há cerca de 6 anos, e conseguem se especializar e ter sua fonte de renda. Segundo a coordenadora do projeto, Carla Pitta, o público-alvo do projeto são mulheres, idosos, crianças e adolescentes, mas, a maior parte dos alunos são o público feminino, representando 80% dos matriculados. Durante a pandemia os cursos tiveram que ser suspensos, mas ainda assim o projeto mantém contato com todos, quando possível, de forma virtual. Carla conta que a maior parte das mulheres que estudam na Casa de Lió, conseguem aperfeiçoar ainda mais os conhecimentos, se tornam artesãs e a partir de então empreendem uma carreira de negócios.

Denise Guimarães, foi aluna do curso de ponto cruz e atualmente é professora voluntária no projeto. (Foto: May Rios)

Das diversas histórias de transformação que ocorreram no projeto, a história de Denise Guimarães foi a que mais marcou, segundo comenta Carla. “Ela entrou no projeto como aluna, depois se tornou professora voluntária, e a partir daí conseguiu criar seu próprio negócio com o aprendizado nos cursos que participou”, mencionou.

Uma mulher tímida, que ao matricular-se para fazer o curso de ponto cruz, conseguiu vencer a timidez, tornou-se professora voluntária do projeto e empreendeu seu próprio negócio, motivando outras mulheres a fazerem o mesmo. As habilidades que Denise tinha com pintura, fez com que a coordenadora Carla fizesse a proposta para que ela fosse uma das professoras voluntárias do curso. “Demorou para ela aceitar, a timidez dela dificultava, mas com o tempo ficamos amigas e fomos quebrando o gelo. Daí então fizemos a proposta e aguardamos até ela se sentir à vontade e aceitar dar aula. Mas, quando começou foi um sucesso foi tão grande, que já são 4 anos conosco dando aula de pintura em fraldas e pintura em pano de prato”, relatou Carla.

A determinação de Denise foi tão grande que ela decidiu fazer um curso adicional de bordado em sandália e pintura em camiseta. Hoje, um dos cursos mais procurados no Projeto Casa de Lió é o de pintura ministrado por ela. “As pessoas procuram o curso já falando dela. A expectativa de estudar tendo ela como professora é muito grande, e as vagas acabam rápido”, disse Carla.

A mudança de vida 

Segundo conta Denise, o artesanato surgiu em sua vida como uma necessidade de ocupar o tempo, diminuir a timidez e ansiedade. Ao conhecer o projeto e os cursos oferecidos, tomou a decisão de que ali seria o pontapé inicial para sua carreira como artesã. “Hoje eu me vejo uma artesã, uma empreendedora, e a ADRA através do Núcleo Casa de Lió, foi fundamental para que isso acontecesse. Lá eu me sentia útil, e o pouco que eu tinha a oferecer se tornou muito para muitas mulheres, que assim como eu queriam simplesmente uma oportunidade. De aluna a voluntária foi bem rapidinho, porque eu gosto muito de artesanato, manualidades, gosto de pintar e acredito sempre que pessoas precisam de apoio para crescer, para mostrar o seu potencial”, relatou.

A Casa de Lió, não só agregou mais uma profissão para Denise, que já tem formação na área de pedagogia, mas, conforme relato, incentivou e motivou a empoderar outras mulheres a aprender, desenvolver habilidades e começarem uma carreira de negócios promissora. “Eu deixava transparecer o quantos elas eram promissoras e capazes, que aquela peça que estavam trabalhando, fazendo, era um desafio pessoal, um desafio único, e que ninguém faria igual. Fazer parte de tudo isso ajuda a transformar vidas e doar-se em benefício de outros. Me faz bem. Então se me faz bem, é lá no projeto Casa de Lió que quero estar”, concluiu.

Denise tem uma página no Instagram onde comercializa e divulga seus trabalhos. Ela faz pinturas e bordados em enxovais de bebês e roupas infantis. Para abrir seu próprio negócio contou com a ajuda de seu esposo Salomão Guimarães, que a presenteou com uma máquina de bordados. “Resolvi dar a máquina, porque me surpreendi muito com a evolução do seu trabalho depois que entrou no projeto”, disse.

Salomão diz que é grato a Casa de Lió pelo que tem feito na vida de tantas pessoas, principalmente na vida de sua esposa. “Eu tenho que agradecer a Casa de Lió. Denise hoje é outra mulher, tanto em casa, quanto socialmente. A vida dela foi transformada”, concluiu.

Todos os projetos da ADRA, são mantidos por doações que podem ser feitas através do portal oficial.

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